Escritora narra uma noite de asfixia

“Acordo com a tosse do meu companheiro. Olho para o relógio na mesa de cabeceira: são onze da noite. Embora estejamos em setembro, o calor acentuado torna a madrugada infernal. Tenho a sensação de que os ponteiros vão derreter, os algarismos romanos vão escorrer pelo tampo. Minha divagação é interrompida pela voz que soçobra ao meu lado: preciso do inalador.”

Assim começa o relato da escritora e roteirista curitibana Giovana Madalosso, na edição deste mês da piauí, em que ela narra as agruras de habitar a maior metrópole do país durante o mês em que as crises ambiental e climática atingiram níveis alarmantes.

Desde que a cidade de São Paulo foi tomada pelo tempo seco e pela fuligem das queimadas, o marido de Madalosso anda preso ao nebulizador “como a uma mamadeira”, escreve a autora. Não à toa, ela deixa o aparelho sempre ao lado da cama. “Só me levanto para buscar a garrafa de soro: vazia. Pensávamos que havia outra, mas não. Tal qual um alcoólatra, o ar seco bebeu tudo o que tínhamos em casa: o soro fisiológico, a umidade das toalhas que espalhamos pelo quarto, a água que deixamos numa bacia na sala, a saliva das minhas mucosas.”

Enquanto tenta comprar frascos de soro fisiológico numa farmácia repleta de fregueses à procura de alívio para incômodos respiratórios, Madalosso conclui, tristemente: “O Brasil como conhecíamos acabou, o planeta como conhecíamos acabou. Nossos pés estão fincados no ponto de não retorno.”

Assinantes da revista podem ler a íntegra do texto neste link.



Piauí Folha

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