Moradores revelam desafios e vantagens de viver em miniapartamentos em Porto Alegre

Moradores revelam desafios e vantagens de viver em miniapartamentos em Porto Alegre

A capital gaúcha tem acompanhado a tendência nacional de moradias compactas. Com apartamentos que integram quarto, sala, cozinha e espaço de trabalho em uma única peça, os miniapartamentos — popularmente conhecidos como studios ou kitnets — estão se tornando cada vez mais comuns em Porto Alegre. Segundo dados do Secovi-RS e da Agademi, a procura por esse tipo de imóvel cresceu significativamente nos últimos anos, refletindo uma mudança no comportamento urbano e nas dinâmicas sociais.


Em junho de 2025, o número de unidades com até um dormitório disponíveis para locação era 71,7% menor do que em 2021. Esse movimento indica uma alta demanda, especialmente entre jovens estudantes, profissionais em início de carreira, idosos e pessoas com menor poder aquisitivo ou que vivem momentos de transição pessoal.

Entre o essencial e o adaptável

Roberto Kodama, de 64 anos, vive há 25 anos em um apartamento de 21 metros quadrados no bairro Praia de Belas. Hoje, divide o espaço com Maria Isabel, sua companheira, que sente os impactos da limitação física especialmente na cozinha. “Gosto de cozinhar e gosto das coisas guardadinhas”, relata. Apesar das limitações, o casal encontra formas de adaptar o ambiente com prateleiras, incensos e criatividade.

Uma alternativa temporária




Já Victória Abreu, de 28 anos, divide um studio de 36 metros quadrados com o marido no bairro Cidade Baixa. Vindos de Mato Grosso, enfrentaram dificuldades para ajustar o dia a dia ao novo espaço.

“No começo, trabalhar os dois no mesmo ambiente não funcionou”, afirma.

Mesmo com desafios como cheiros fortes e pouco espaço para cozinhar, a praticidade do local — próximo ao trabalho e com lavanderia e academia no prédio — compensa os desconfortos.

Simplicidade com funcionalidade

No bairro Bom Fim, o médico Thiago Lopes Dutra, de 28 anos, ocupa um studio de 15 metros quadrados em uma moradia estudantil.

“Eu precisava de um lugar para dormir e guardar minhas coisas”, conta o residente em neurologia pediátrica, que passa o dia no hospital.

Com acesso a áreas compartilhadas como cozinha coletiva, lavanderia e salas de estudo, ele destaca a facilidade de limpeza e organização como grandes vantagens.

Praticidade e investimento

Para a nutricionista Mariana Martins, de 27 anos, o miniapartamento de 24 metros quadrados no bairro Auxiliadora é tanto lar quanto oportunidade de negócio. Além de morar no local, ela e a família alugam outro apartamento semelhante por meio de plataformas como Airbnb.

“É prático e atende bem quem está sempre fora. O retorno como investimento também é bom”, explica.

A rotatividade de hóspedes, no entanto, torna o ambiente menos familiar.

O mercado e os riscos urbanos

Para o sociólogo Samuel Thomas Jaenisch, da UFRGS, a popularização dos studios é uma atualização dos antigos kitnets, com nova roupagem e foco no investidor.

“Construtoras estão voltadas mais para quem quer alugar por temporada do que para quem vai realmente morar”, observa.

Ele alerta para o impacto urbano dessa prática: o esvaziamento de vínculos comunitários e a substituição da função residencial tradicional por interesses comerciais.

A crescente adesão aos miniapartamentos em Porto Alegre revela não apenas uma adaptação ao estilo de vida contemporâneo, mas também um novo olhar sobre o uso e o valor do espaço. Seja por necessidade, praticidade ou estratégia de investimento, viver em espaços reduzidos passou a fazer parte da paisagem urbana — com seus desafios, soluções e oportunidades.


Piauí Folha

Talvez te interessem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


© Copyright Meu Portal de Notícias 2022. Todos os direitos reservados.