Censo Condominial revela: barulho ainda é o vilão número 1 nos condomínios brasileiros
De acordo com o mais recente Censo Condominial Brasil 2024-2025, realizado pela startup uCondo, o barulho segue como a principal fonte de conflitos entre vizinhos em condomínios residenciais. O levantamento, que ouviu milhares de moradores e gestores, aponta que som alto, festas, gritaria, latidos de cães e até o uso de instrumentos musicais lideram as reclamações registradas diariamente.
“Ficou muito claro para nós que o barulho foi destaque. É o principal ponto de atrito entre os moradores”, afirma Léo Mack, cofundador da uCondo e diretor de operações da empresa, em entrevista à 98 News.
Segundo ele, o problema é agravado pelo desconhecimento das normas condominiais e da legislação vigente.
“Boa parte dos moradores está vivendo em condomínio pela primeira vez e acredita que pode fazer reformas ou mudanças em qualquer horário”, completa.
A legislação brasileira, incluindo o Código Civil e a Lei de Contravenções Penais, prevê penalidades para quem perturba o sossego alheio. As multas podem variar de R$ 200 até R$ 200 mil, dependendo da gravidade da situação e da reincidência.
Para evitar desgastes e disputas judiciais, a recomendação é sempre começar pelo diálogo.
“A primeira coisa é conversar numa boa com o vizinho. Se não resolver, o ideal é acionar a equipe administrativa ou o síndico”, orienta o especialista.
O síndico é o responsável por aplicar as penalidades previstas no regimento interno e nas decisões de assembleia.
Como ferramenta de apoio à mediação de conflitos, a uCondo lançou recentemente a assistente virtual Amora, uma inteligência artificial treinada especificamente para interpretar regimentos internos e responder dúvidas com base na legislação condominial brasileira.
“Ela pode até sugerir formas de resolver conflitos específicos”, explica Mack.
O sistema está disponível gratuitamente no site da empresa e pode ser usado tanto por síndicos quanto por moradores.
Se, mesmo após tentativas de diálogo, aplicação de multas e intervenção do síndico, o problema persistir, a recomendação é acionar o Judiciário.
“A palavra-chave é reincidência. Tentou conversar, aplicou multa e não resolveu? Aí sim, o caminho pode ser uma ação judicial, inclusive coletiva”, conclui Léo.
A convivência em condomínio exige respeito mútuo, conhecimento das regras e, cada vez mais, o uso de tecnologia como aliada da boa gestão e do bem-estar coletivo.