Risco de afundamento em apartamento da CDHU em Araraquara gera interdição e processo judicial
Um apartamento térreo localizado na Vila Biagioni, em Araraquara (SP), e pertencente à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbana (CDHU), foi interditado pela Defesa Civil após ser constatado o risco de afundamento do piso. A situação crítica, que atinge também outras unidades do prédio entregue em 1997, acendeu o alerta para a segurança dos moradores e expôs divergências sobre a responsabilidade pelos danos estruturais.
Segundo a vistoria realizada pela Defesa Civil, embora não exista risco iminente de desabamento do prédio, o estado do solo sob o apartamento levou à interdição. A moradora Franciele Cristina de Araújo, uma das afetadas, relatou viver com medo constante.
“Todos os engenheiros falaram: ‘Não tem dimensão do tamanho que tá por baixo’. Acordamos no meio da noite com barulho de estralos, meus filhos vêm chorando”, desabafa.
A prefeitura de Araraquara ofereceu aluguel social à moradora, com prazo de 30 dias para que ela encontre um novo imóvel. O auxílio terá duração de um ano.
Outro caso semelhante envolve a aposentada Maria Inês Guerreira, cuja filha descobriu um buraco sob o piso ao tentar reformar a unidade.
“Quando o pedreiro estava quebrando o piso, afundou. Tinha um buraco enorme. Aproximadamente meia caçamba de terra entre a lavanderia e o banheiro”, afirmou.
Vistorias apontam infiltrações generalizadas nas áreas de cozinha, banheiro e lavanderia, além de queda do forro e fendas crescentes na base do edifício. A calçada ao redor também apresenta desnível visível em diversos pontos.
A CDHU, por sua vez, afirma que os problemas decorrem da falta de manutenção por parte dos moradores e do condomínio. Entretanto, laudos técnicos apontam que a origem está em falhas estruturais de construção. Um laudo da seguradora produzido em 2024 identificou que a infiltração da água da chuva, causada por ausência de manutenção do calçamento externo, levou ao rebaixamento do piso. O documento recomenda isolar os quartos devido ao risco de acidentes, apesar de não constatar risco imediato de desmoronamento.
O caso chegou à Justiça, que nomeou um perito para nova avaliação. O laudo pericial concluiu que a má compactação do aterro na fundação do prédio está causando o problema. A separação progressiva entre o calçamento e o prédio é atribuída ao desbarrancamento do solo por falta de contenção adequada. O custo estimado para os reparos é de R$ 28 mil.
“O laudo do perito aponta o risco, e mesmo assim eles estão contestando. É indignação e raiva ao mesmo tempo, porque é só a gente que tá aqui vivendo”, afirma Franciele.
Ela também relatou que não possui alternativas de moradia:
“Tem gente que fala para mim: ‘Sai de lá, tá perigoso’, como se eu tivesse outra opção”.
A CDHU reafirma que a manutenção das unidades é de responsabilidade dos próprios moradores e do condomínio, e que todos os documentos técnicos foram encaminhados à Justiça, onde o processo segue em tramitação.
A situação revela uma complexa disputa sobre a responsabilidade por obras estruturais em imóveis habitacionais populares, acendendo um importante alerta para gestores públicos, síndicos e profissionais da construção civil quanto à necessidade de inspeções técnicas regulares e à correta manutenção das edificações.