Moradores destituem gestão de condomínio após rejeição de contas e denunciam crise administrativa
A crise de gestão em um condomínio residencial localizado no bairro Coxipó, em Cuiabá (MT), culminou na destituição da administração, após uma mobilização intensa dos próprios moradores. A decisão foi tomada em assembleia geral extraordinária realizada na última terça-feira (29/07), em resposta à rejeição das contas e à insatisfação generalizada com a condução administrativa do empreendimento.
Segundo relatos de moradores, o estopim da crise foi a proposta de mais um aumento na taxa condominial, apresentada sem justificativas consistentes e em meio a diversos problemas de manutenção e infraestrutura.
“Nos mobilizamos dentro de uma semana para coletar assinaturas”, afirmou uma moradora, que preferiu não se identificar. Ela ainda destacou o descaso com os serviços básicos:
“É inadmissível aceitarmos cobranças extras, sendo que nem a luz do bloco está sendo trocada. A portaria do condomínio virou um verdadeiro lixão”.
O grupo de condôminos insatisfeitos relatou que a crise teve início com a detecção de inconsistências nas contas do condomínio. Para investigar a situação, formaram uma comissão independente e constataram supostas discrepâncias entre os orçamentos apresentados e os valores efetivamente praticados, além de falhas administrativas e contábeis.
Outro fator que agravou o cenário foi o adiamento da assembleia de prestação de contas, que deveria ter ocorrido em março, mas foi convocada apenas em julho. Nesta reunião, as contas referentes ao exercício de 2024 e a proposta orçamentária para 2025 foram rejeitadas pela maioria dos presentes, sendo aprovadas apenas pelo síndico e pela subsíndica — ambos alvos de críticas e acusações por parte dos condôminos.
Com base nos indícios e na ausência de respostas satisfatórias, os moradores reuniram as assinaturas necessárias para convocar uma nova assembleia, culminando na destituição formal da antiga administração. Na mesma noite, uma nova gestão foi eleita, formada por moradores que assumiram o compromisso de restaurar a ordem e revisar os contratos vigentes no condomínio.
Apesar da decisão coletiva, o ex-síndico anunciou que pretende ingressar com uma liminar na Justiça para tentar reverter a destituição e retomar o controle administrativo do condomínio.
A situação vivida pelos moradores evidencia a importância da transparência, da prestação de contas regular e da atuação responsável dos gestores condominiais. O caso também serve de alerta para outros condomínios, reforçando o papel ativo que os condôminos podem exercer na fiscalização da administração e na defesa de seus direitos.